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quinta-feira, 3 de setembro de 2009



BORAT, A BORRA DO BRASIL BEM-HUMORADO

Estou interessado em assistir Bruno, um filme irreverente do ator Sacha Baron Cohen, que retrata às altas rodas da moda pela América. Com isso cheguei ao primeiro filme do ator, Borat, um repórter do Cazaquistão sem-noção que vai se aventurar em Nova Iorque pra fazer um documentário pra televisão cazaquistaneza. Grande foi minha surpresa e susto ao me deparar com aquilo tudo. O filme é muito ridículo, mas de tão ridículo que é torna-se uma obra-prima, passando longe dos acostumados besteiróis americanos. O filme faz uma crítica, grita em nossa cabeça, é plugado à nossa inconsciência.
O filme é ofensivo com atitudes que beiram ao machismo, homofobia, o ódio contra os judeus e práticas de pedofilia. O contrário de nós que não fazemos por motivos puramente dogmais, Borat, traz esses conceitos arraigados a sua cultura, agindo assim de forma quase que angelical sobre tais fatos.
Essa naturalidade intrínseca no filme me assustou muito, mas com o desenrolar, pude notar que somos até piores que Borat, que detém a cultura como desculpa. Em seu país as mulheres não têm voz, são escravas sexuais de seus “machos”, e quando abordadas por eles, obedecem de forma imediata cedendo aos caprichos e lascívia desses homens. O que me chamou a atenção foi quando Borat, logo de início, apresenta sua irmã dizendo se tratar da prostituta de número quatro do Cazaquistão e em seguida tasca-lhe um beijão na boca. Assim todos ali fazem. A forma primitiva como Borat lida com suas situações, lembro, mas uma vez protegido pelo fator cultural, nos faz pensar como somos, falsamente, mais civilizados que o seu povo e sua cultura.
Incumbido da missão de retratar para o seu povo a cultura americana, Borat, chega à Nova Iorque e tem uma série de encontros desastrosos, puramente engraçados, com os americanos. A forma indireta como chama os americanos de abobados soa-me como um deleite. Só que de cara ele se depara com a imagem de Pamela Anderson na tv, lindamente na famosa série SOS Malibu, Borat, não tem dúvida, Pamela é o grande amor de sua vida, que o faz desistir das reportagens em Nova Iorque e assim busca-la na Califórnia.
Se ele vai se encontrar com Pamela, não vou revelar, deixarei para que vocês assistam a esse delicioso filme que, sem dúvida, me fez pensar que Brasil tem mais de Cazaquistão do que Europa
A crítica é forte e me fez ter mais vontade de assistir Bruno. Mas de uma coisa não tenho dúvida, Cohen, é um grande ator, as cenas que se expôs fazer durante o filme são toscas e somente um grande ator as faria de forma tão impecável. Vale a pena conferir! Borat, um mundo a ser descoberto sem dúvida!

Sílmar Gama

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