
MINHAS DESCIDAS AO INFERNO...
Todos nós em algum momento da vida temos quedas, descemos ao mais popular dos títulos: a vala comum. Como naquelas histórias de novela – a mocinha rica desumanizada que não quer saber de amor – era eu, mais como num castigo, fui obrigado a conhecer o lado amargo da vida. Tinha dinheiro, tinha amores, tinha baladas, tinha, e tinha, e tinha... tudo eu tinha, o que não tinha estava comprando. Só que não mais que de repente tudo muda e eu me vejo sem nada, sem amores, sem as baladas, sem os “meus tinha”, mas com alguns amigos que não abro mão deles, já que na vida temos que tê-los, e esse tipo de amigo atravessa qualquer deserto com você, e graças a Deus os tenho.
Só resolvi contar essa história aqui porque ela já passou, agora é uma outra realidade, me recupero às duras penas do que perdi, mas volto com uma bagagem enorme de vida, daquela capaz de carimbar meu passaporte pra qualquer guerra livre e salvo de todo um resvalar. O contrário do que alguns dizem, sem tarimba alguma, não me achava pernóstico, muito menos arrogante. Nunca fui arrogante por ter dinheiro, mas sempre fui por defender minhas opiniões e com isso alguns transferiam minha arrogância para o lado ruim, o pior deles, o da arrogância financeira.
O problema não é ter dinheiro, problema é não poder desabafar seus pensamentos, pois sempre há um “dodóizinho” que acha que você o quer menosprezar. Cansei, desisti disso... Não vou opinar mais sobre ninguém perto de mim, mesmo que esteja recheado de opinião. As pessoas não estão preparadas pra entender a diferença da opinião e do ódio. O fato de não aprovar uma atitude, não gostar do caráter de uma pessoa isso não quer dizer que a odeie.
E por conta disso, taxaram-me de arrogante muitas vezes. Mas quer saber? Nem ligo! Da mesma forma que não opino mais sobre as pessoas, não me questionem por não me importar com o que se pensa a meu respeito.
E sob a batuta dessas lições eu vou seguindo e aprendendo cada dia mais. É mais que fundamental, já disse isso outras vezes, “não se importe” com o conceito que as pessoas têm de você. São conceitos, o próprio nome já diz, por mais que faça para mudá-los, sempre será um “conceito na terceira pessoa”, sem nenhuma ótica subjetiva. Não abrace do mundo as responsabilidades que são só dele, não cabe a nós se importar com o que vão ou não dizer a nosso respeito, é sempre torpe a definição final disso.
Bom, vamos parar com esse papo, está ficando cabeça demais. Resumido tudo sem querer ser terrivelmente católico, como também disse em outros textos que escrevi, as vezes que estive ao inferno foram sim terríveis, mas todas – de modo algum – me derrubaram e, sim, serviram para mostrar-me como nunca visto antes: uma pessoa que nunca se abate e nunca se deixa vencer, por mais dolorida que seja a queda.
Pode ser que esteja no inferno novamente um dia, mas se assim estiver, tenha certeza, estarei muito mais experiente do que a primeira vez que encarei o diabo.
By Vieira Gama
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