
A GUERRA DO PESO
Não estou infeliz com o peso que estou. Afinal, venho – hoje – descobrindo alguns deliciosos prazeres de se estar acima do peso. Tem gente que gosta e pude experimentar as “deliciais” mais indizíveis aos olhos de quem vê. Mas pra mim é algo que não rola, não gosto de me sentir tomando espaço, principalmente, que agora tenho problemas com a pressão arterial.
No mês passado eu conheci uma delícia de senhora, a dona Ana Rosa, mãe da amiga da Daniela, Elaine, agora também minha amiga. A senhora que está na foto ao lado comigo. Minha gente, esta delícia de senhora me apresentou a sua especialidade: uma farofa seca de dar água na boca e nos fazer comer rezando. Claro, como estava conhecendo eles naquele momento, aniversário da Elaine, me contive em não cometer o pecado da gula. Provei duas porções modestas, o que me arrependo até hoje por não ter comido mais.
Dona Ana Rosa é uma senhora peculiar, tem uma história de vida linda, matriarca também de uma família unida, o que enche os olhos de qualquer um de fora que os veja. Ali, comigo e Daniela enquanto fumávamos, ela foi nos contando sua história de vida diante dos nossos olhos que enchiam de curiosidade em saber mais sobre ela. Filha de um pai extremamente sábio, dona Ana Rosa, herdou e com isso também adquiriu uma lição de vida que qualquer moribundo dono da verdade devia experimentar. Ela é como seu pai, uma pessoa sábia. A forma como a mesma enxerga a vida é muito otimista, faz com que entendemos que a vida é muito mais bela nas coisas simples, nos detalhes que compõe a grande obra. É verdade quando eu digo que adorei conhecer dona Ana Rosa, a Elaine e toda sua família.
Mas como dito lá no início do texto, estar acima do peso pra mim não é bom, muito menos saudável. Todos os anos, principalmente, no início do ano é normal da gente vir com aquela estória de emagrecer, fazer dieta, parar de fumar... Tudo isso faz parte do protocolo de final de ano. Justamente pra evitar isso, mudei as normas, e comecei a dieta antes do natal. O que milagrosamente nessa época do ano que todos engordam eu posso dizer o meu orgulho de ter perdido 5 quilos. Ah, gente... Entrarei o ano com 5 quilos a menos. Não é o máximo?
Não posso afirmar agora que vou ganhar essa Guerra, é muito cedo pra isso. Mas posso dizer que vou com todas as forças galgando cada vez mais quilos perdidos. Comecei academia e espero que isso contribua no processo final.
Deixo claro que estou fazendo isso pra melhorar minha vida, meu estado de espírito, e não aquela bobagem que muitos querem ao emagrecer: exibir um belo corpinho na boate de depois suar no “quartinho escuro”. Emagrecer é muito difícil na minha idade, mas tenho eu a agradecer de ter o organismo que tenho. Mesmo que ele engorde em demasia, eu também consigo perder peso sem sofrer. Claro que tenho que fazer exercícios físicos, mas digo fazer de verdade, sem aquele sofrimento de quem não gosta de fazer e só o faz porque tem que desesperadamente emagrecer. Esse tipo de pensamento só veta o processo de perda calórica. Quanto mais desencanado, menos abitolado, mais sucesso se tem no processo de perda. E assim vou indo e cantando feliz pela estrada a fora.
Tenho certeza que em breve vou ter mais boas notícias pra contar. Estou feliz com isso, tenho certeza que a primeira batalha da guerra já foi vencida. Agora é não desanimar e continuar o processo. Assim como todos os outros processos que tenho para 2011, o ano da renovação na minha vida.
A ÚLTIMA ESTAÇÃOÉ verdade quando meus amigos dizem que não tenho mais fôlego pra certas desbravuras que cometia tempos atrás. Lembro-me perfeitamente, aos meus 20 e poucos anos, que saía noites e noites ininterruptas e nada comigo acontecia. Hoje é diferente. Não sou ninguém sem minhas 8 horas de sono. Isso. Antes eu dormia 4 horas e passava 20 horas acordado. Hoje não, tenho que dormir o sono dos justos. Quando falo aos meus amigos “as delicias e os dissabores” de ter mais de 30 anos, alguns logo pensam de forma pessimista que estou parando a vida e deixando o barco correr à revelia. Isso não é uma verdade. Chega um momento da vida que a gente descobre um novo ritmo, um novo full time que é preciso respeitá-lo para evitarmos problemas mais sérios.
É o que tenho feito: respeitado meu novo tempo, minhas novas horas. O momento onde o relógio corre mais rápido, porém, o organismo passa a viver numa pasmaceira. Depois dos 25 anos começamos a perder células, elas vão morrendo pouco a pouco e se regenerando em menor velocidade, e com isso a velhice se desenvolve. Quando mais velho, menos renovação de células e mais morte delas. Assim é o ciclo biológico da vida. Não há como fugir dele. “Ah, sim, podemos melhorar a qualidade da idade e a brutalidade de que se envelhece, mas a velhice... essa é implacável e vem sem medo depois de certa idade”.
Podemos fazer academia, pilates, yoga, inúmeras coisas a fim de evitar a catástrofe. A onda pode chegar fraca à orla, mas chega sem dúvida. E assim vou fazendo para evitar a onda gravitacional.
Por que estou falando disso? Nas minhas últimas pesquisas, a quantidade de pessoas amedrontadas com o efeito da velhice é muito grande. Conheço gente que está, aos 40 anos, chorando com medo de morrer. Mesmo sabendo que nada adianta chorar, a morte é certa, ela chega uma hora. Como se o choro dos aflitos pudesse inverter a situação. As pessoas perdem tempo acreditando que este consolo, mais a piedade dos céus, podem mudar alguma rota mais trágica.
Não deve ser nada fácil pra quem chega aos 80 anos de idade e perceber que a palavra “limite” será sua maior parceira dali pra frente. Pois é à hora de procurar entender que é outro tempo, outro momento e o seu corpo – por mais que o cérebro continue a mil por hora – não corresponde mais as estatísticas. O contrário do que se imaginam, muitos velhos estão inteiros, mais lentos sim, mas cheios de gás vivendo o que a vida tem pra lhe oferecer. Assim deve ser. Afinal de contas, não há choro e nem vela numa fita amarela que mude o curso pro fim. Mas pode-se chegar ao fim com muita dignidade e sabedoria. Espero que a velhice seja a última estação da vida de todos. Somente aos que chegam nela terão vivido uma vida plena e cheia de estórias pra contar.
Vieira Gama
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