
SER OU NÃO SER DO “CORRE”?
Ontem eu fui visitar meu amigo Samuca, que perdera sua mãe recentemente. Faço parte daquela turma de urubus que fica velando o sofrimento do outro como se tivesse perdido alguém tão próximo quanto à vítima e, detalhe, que não sofre tanto quanto a pessoa que perdeu. Samuca é meu amigo há pelo menos 30 anos, o meu tempo de vida, certo de que ele viu meus primeiros passos rumo a essa vida frenética chamada de vida urbana.
A fofoca corria solta, estávamos falando muito mal de pessoas que não me atrevo dizer aqui. Vai que alguém passa meio que sem querer no Destaque e amanhã tem uma dúzia de mexeriqueiras com rolos de macarrão na mão querendo me mandar para as terras da loló. Samuca é ótimo! Madame Morgana, seu nome de guerra! Se eu tenho nome de guerra? Claro que não, sou um pseudo intelectual e não posso me dar esse luxo. Depois de acabar com as orelhas de Gertrudes machão, Perigosa Pertubada, Mulher banana e Maricota foi pro brejo; fomos surpreendidos com as visitas de duas mocinhas, uma delas, a sobrinha dele. Mudamos o rumo da conversa e passamos a falar de família. Como não queria mais saber desse assunto, dei atenção a coleguinha da sobrinha que sentara ao meu lado. Não me lembro o nome dela, mas era uma figura não menos que encantadora. Devia ter um metro e sessenta e poucos, loura tipo Nazaré Tedesco, magérrima – tanto quanto a Ana, àquela lá de record.
Logo de cara fui informado pela loiruda que ela tinha nada mais, nada menos do que 4 namorados: um na zona Sul, outro na zona oeste – com este não praticava sexo, um na zona norte e o outro – quem ela ama, é do “corre” e tem pau pequeno! Chocados? Minha boca quicava feito io-iô.
Segundo a mocinha simpática, o amor de sua vida é rico, tem uma BMW e uma máquina que nem me atrevo dizer o nome por não lembrar, mas sei que é daquelas que qualquer jogador de futebol adoraria exibir.
- Ele é rico? Qual a ocupação dele? – perguntei na mais pura inocência.
- Ele é do corre! Traficante! – Falou a loira como se me dissesse que ele fosse médico.
Na hora abri meus dentões para aquela menina, já que com mulher de traficante, no meu bairro, não se brinca e fiz cara de coleguinha! Ela continuou a dizer suas agruras por não saber com quem ficar. Mas que o partido da zona sul tinha sim um bom emprego, queria coisa séria e, é claro, casamento.
Mas diante da ocupação do primeiro que ela me disse após minha pergunta inocente, não tive coragem de perguntar a ela qual seria a boa e nobre ocupação desse da zona sul. Existem coisas que é melhor não sabermos...
Deu meu horário e enquanto o Fábio Junior gritava na televisão anunciado a abertura de Alma Gêmea, tomei o caminho de casa e fiquei a pensar nas nobres ocupações dos galanzinhos do meu bairro: Ser ou não ser do “corre”?
Ontem eu fui visitar meu amigo Samuca, que perdera sua mãe recentemente. Faço parte daquela turma de urubus que fica velando o sofrimento do outro como se tivesse perdido alguém tão próximo quanto à vítima e, detalhe, que não sofre tanto quanto a pessoa que perdeu. Samuca é meu amigo há pelo menos 30 anos, o meu tempo de vida, certo de que ele viu meus primeiros passos rumo a essa vida frenética chamada de vida urbana.
A fofoca corria solta, estávamos falando muito mal de pessoas que não me atrevo dizer aqui. Vai que alguém passa meio que sem querer no Destaque e amanhã tem uma dúzia de mexeriqueiras com rolos de macarrão na mão querendo me mandar para as terras da loló. Samuca é ótimo! Madame Morgana, seu nome de guerra! Se eu tenho nome de guerra? Claro que não, sou um pseudo intelectual e não posso me dar esse luxo. Depois de acabar com as orelhas de Gertrudes machão, Perigosa Pertubada, Mulher banana e Maricota foi pro brejo; fomos surpreendidos com as visitas de duas mocinhas, uma delas, a sobrinha dele. Mudamos o rumo da conversa e passamos a falar de família. Como não queria mais saber desse assunto, dei atenção a coleguinha da sobrinha que sentara ao meu lado. Não me lembro o nome dela, mas era uma figura não menos que encantadora. Devia ter um metro e sessenta e poucos, loura tipo Nazaré Tedesco, magérrima – tanto quanto a Ana, àquela lá de record.
Logo de cara fui informado pela loiruda que ela tinha nada mais, nada menos do que 4 namorados: um na zona Sul, outro na zona oeste – com este não praticava sexo, um na zona norte e o outro – quem ela ama, é do “corre” e tem pau pequeno! Chocados? Minha boca quicava feito io-iô.
Segundo a mocinha simpática, o amor de sua vida é rico, tem uma BMW e uma máquina que nem me atrevo dizer o nome por não lembrar, mas sei que é daquelas que qualquer jogador de futebol adoraria exibir.
- Ele é rico? Qual a ocupação dele? – perguntei na mais pura inocência.
- Ele é do corre! Traficante! – Falou a loira como se me dissesse que ele fosse médico.
Na hora abri meus dentões para aquela menina, já que com mulher de traficante, no meu bairro, não se brinca e fiz cara de coleguinha! Ela continuou a dizer suas agruras por não saber com quem ficar. Mas que o partido da zona sul tinha sim um bom emprego, queria coisa séria e, é claro, casamento.
Mas diante da ocupação do primeiro que ela me disse após minha pergunta inocente, não tive coragem de perguntar a ela qual seria a boa e nobre ocupação desse da zona sul. Existem coisas que é melhor não sabermos...
Deu meu horário e enquanto o Fábio Junior gritava na televisão anunciado a abertura de Alma Gêmea, tomei o caminho de casa e fiquei a pensar nas nobres ocupações dos galanzinhos do meu bairro: Ser ou não ser do “corre”?
Sil, você está com uma ironia de impressionar, a cada dia que passa notamos isso em sua maneira de escrever. Antes você era irônico no dia-a-dia, na vida, agora está na forma como conduz suas história, suas crônicas. Eu tava lendo o outro blog e notei que ali tem muito de ironia também. Adoro esse estilo a gente nunca sabe direito o que o autor quer dizer. Estou morrendo de saudade de voce e te quero aqui em casa no aniversário da Taízinha. Ela sempre pergunta por você, mas eu digo a ela que você está vivo ainda.rs
ResponderExcluirTe adoro, amigo, e não pare nunca de pensar e nos brindar com o que escreve.
Tatinha