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segunda-feira, 5 de julho de 2010

APENAS ALGUMAS PALAVRAS, A VOCÊ QUE FOI IMPORTANTE SEM SABER...

Comentava com um amigo que gostaria muito de ter férias de fortes emoções, há quase quatro anos eu vivo emoções fortes e consecutivas. Desde a morte da minha madrinha, em Fevereiro de 2009, não sentia o que senti dias atrás.

Em algumas semanas fui surpreendido pela noticia de falecimento de um ex namorado meu. Noticia que me abalou bastante. Quando me davam à notícia, em seguida eu perguntei a hora que seria o enterro, foi quando meu amigo disse friamente.

— Silmar, ele morreu há dois meses e só agora estou te contando.

Eu fiquei transtornado, não entendia a razão de ninguém ter me dado à notícia antes.

— E por que ninguém me avisou, por que não contaram antes. Eu queria ir ao enterro, queria ter me despedido dele como todo mundo...!

Fato é que não podia fazer mais nada, ele já tinha sido enterrado e jamais veria seu rosto novamente. O que me deixou mais chateado é que não me contaram porque o namorado dele atual, com ciúme, impediu que os ex-namorados dele soubessem do ocorrido e aparecessem no sepultamento. Um terrível gesto de egoísmo. Nós não tínhamos mais nada, além de bons momentos guardados na lembrança.

É... Sua morte foi uma surpresa pra todos nós, não sabemos o motivo dela, o que o levou se atirar embaixo de um trem do metrô. Não falava com ele há algum tempo, mas precisamente desde que ele começara a namorar o atual egoísta. Na verdade ele se afastou de todos.

Não direi o nome dele em razão de respeito, não quero pessoas especulando sobre isso, me perguntando ou coisa assim.

Lembro-me perfeitamente do dia em que fomos passear na avenida Paulista à noite e ali, embaixo do vão livre do Masp, namoramos um tempão. Juras e juras de amor foram feitas. Chegamos a prometer um ao outro que seríamos para sempre um laço, para sempre juntos, mas como nenhuma promessa de amor é definitiva, terminamos algum tempo depois e não mais nos encontramos, até que soube por alto que ele estava namorando o menino atual. Neste dia ele me disse uma coisa que me marcou muito e hoje fico aqui a pensar sobre isso, sobre esse dito.

— Você já imaginou que se um dia um de nós não existir mais, mesmo com o tempo que passar, ao passar por aqui, lembraremos sempre um do outro...?

Claro que ele não sabia que não existiria mais. Falou aquilo fortuitamente. Aconteceu, ele não existe mais e sempre que passar por ali, no vão livre do Masp, lembrarei dele. Mais... Lembrarei de nossa música, uma canção que ouvia sempre e trazia-o pra dentro de meus pensamentos. Minhas saudades, nossa história, uma boa lembrança.

Quando meu amigo me contou que ele tinha morrido e já tinha sido enterrado, não quis outra coisa a não ser ir até seu túmulo e fazer uma prece à alma dele. Uma outra pessoa se ofereceu pra ir comigo e, lá, juntos, diante de sua sepultura confessamos o que até então nunca tínhamos confessado pra nenhum de nós. Eu disse com a voz embargada e trêmula.

— Obrigado por vir comigo...! Sozinho seria muito mais difícil.

— Não tem que agradecer. Era mesmo pra estamos aqui hoje: eu e você!

Ele me disse rispidamente.

— Não entendi, Mauro... Por que tínhamos que estar aqui?

Eu tremia feito vara verde, morrendo de medo de uma grosseria maior.

— Porque quando eu namorava com ele, sempre que ele não vinha na minha casa, era contigo que ele estava. Eu sempre soube disso, mas como gostava muito dele, não achei importante levar essa história à diante.

Eu fiquei com o queixo não chão, sem resposta, sem ação.

Estávamos diante do tumulo de uma pessoa em comum pra nós dois. Nosso homem naquele tempo. Ele na condição de ex-namorado, e eu na condição de ex... amante. Eu era o outro dele, embora ele me tratasse com tamanha dedicação, não me deixava perceber que não tinha nenhuma oficialidade em sua vida. Eu era o outro e somente nesse dia, eu e Mauro – o ex namorado dele – tivemos uma conversa franca, honesta e juntos voltamos do cemitério, do tumulo daquele menino que tinha nos feito muito feliz.

Descanse em paz...

By VIEIRA GAMA

À SEGUIR, UMA CANÇÃO QUE ACOMPANHOU MUITO NOSSA HISTÓRIA ILEGAL.

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