Seguidores

segunda-feira, 5 de julho de 2010

COISA VELHA...

Esses dias resolvi tirar a poeira do baú, rever coisas que tinha guardado há muito tempo dentro dele: histórias, emoções, e por que não dizer pessoas. De fato fui mexer no baú e pude notar a quantidade de coisas maravilhosas que tinha dentro dele.

Cheguei ao ano de 1987 e, lá, encontrei alguns escritos que me tocaram. Encontrei até um manuscrito de minha irmã comentando a novela “O Outro”, alguma coisa importante aconteceria naquele dia com Denizard, personagem de Francisco Cuoco, nome este em homenagem a Chico Xavier, uma vez que novela abordava a temática espírita. Pra quem não sabe, Denizard, era o nome verdadeiro de Chico. Claro que os escritos estavam de forma precária, mas não impossível de ler.

É tão engraçado sentir o cheiro daquele tempo, sentir a atmosfera daquele ano, aquele momento. Como se num passe de mágica, caminhei pelas linhas do tempo e pude ver quanta coisa boa passara pra eu chegar até aqui. O tempo corria num painel, e nele via tudo rejuvenescendo, já que estava voltando num tempo longínquo, inócuo, vago, sem vida mais, apenas perdido nas minhas lembranças.

Estranhamente há o tempo que em vivo e todo o tempo que passou. De fato, minha realidade é uma e minhas lembranças é uma outra vida e, cá entre nós, gosto muito mais de minhas lembranças, das pessoas que encontro lá dos que os zumbis de agora. Esse cheiro de saudade, esse cheiro de tempo velho, tempo passado é encantador. Como se não quisesse voltar à realidade, vejo-me enraizado neste tempo passado, apegado e querendo sentir outros cheiros que encontro nele. Incrivelmente, é tão sutil, tão mais feliz do que essa dura realidade atual. Quem viveu a década de 80 sabe muito bem do que estou dizendo. Tudo foi mais bonito, ingênuo, mas interessante. As músicas que tocavam lá não são as chatices que tocam agora, os programas que a tv exibia lá também são muito melhores do que os de hoje em dia.

É preciso soltar-se do tempo passado. Mas como soltar-se da infância, das brincadeiras inocentes contida nela? Vejo como uma tarefa muito difícil. Toda vez que sinto esse cheiro do passado, o contrário de coisa velha, rococó, dá uma vontade de embrenhar-me mais e mais nos corredores desse museu e lá dentro ficar, lá dentro morar e, quem sabe um dia, uma hora, alguém entender que meu passado é muito mais interessante que o agora, e tudo que eu quero é um dia poder voltar pra ele. E quando isso acontecer, me deixem, não me chamem, lá, sem dúvida serei muito mais feliz!

By VIEIRA GAMA

Estou num momento muito musical, tudo pra mim agora é música, notas, sons, ritmo... Coisas que tornam a vida muito mais bela e interessante. Deixo aqui uma música que também gosto muito e faz parte do ano de 1987. Espero que gostem.

Benjamin Orr - Stay the Night


Nenhum comentário:

Postar um comentário